sexta-feira, 19 de fevereiro de 2010

CLAUDIUS - O IMPERADOR

CLAUDIUS - O IMPERADOR


                     Corpo franzino, voz dócil e educada, ar protetor, sorriso largo e acolhedor, olhar tutorial, barba, bigode, cabelo... bem , cabelo um pouco escasso.
                  Passos sempre acelerados , pastas e mais pastas    a  tira-colo, rotina diária de  professor de diagramação .                                                                                        
                  Fôlego, muito fôlego para os sem número de alunos a assediá-lo.
Paciência é sua bandeira, perseverança o seu estandarte.  
                   Page maker a sua arma.
 Lemos, Cláudio, Claudinho, professor, querido professor.
Impossível zangar-se com suas ralhas que sempre começam por
“ filho ... não é assim ... ,"
 " meu Deus do      céu!!!   " ...                                                                                                 
                     E une as pontinhas dos dedos para sacudí-las em seqüência, denunciando sua origem italiana e leva as mãos à careca da cabeça para dizer : - É impossível não saber importar um texto !
                     - Vamos lá ... Tahoma, texto em contorno, cinco colunas ... tablóide , publicidade nas pontas ... nas pontas filho ... texto curto, texto curto, viúvas, corrige as viúvas filho .
               -  Página mestra,
                                   página mestra !                                                                                        
                       - Por que não agrupou ? Tira a sujeira .
  joga fora!!!     Joga  fora!!                                                                                                                      
                     É um misto de Dom Quixote com imperador Romano-  Cláudius O Imperador !                                                                                     
                    Sua armadura é a calça jeans.O cavalo é o computador, a bandeira:
             " O Senhor é o meu Pastor e nada me faltará"
                     Foi bom encontrá-lo pessoalmente, mestre que a vida colocou no meu caminho, para tutoriar meu mundo jornalístico.   
                     Afinal, meu primeiro conto foi publicado em 1998 em jornal de Paróquia católica chamado  “ A Voz da Aparecida “, cujo jornalista era, nada mais nada menos, que ele : o Cláudio Lemos.                                                                                                              
                    Assim, reconheci quem já conhecia e quem sem saber, naquela altura,já me incentivava a ser jornalista.                                                                                                                         
                     Obrigada mestre, obrigada imperador.
                     Levarei comigo seu exemplo de docilidade e competência para toda a vida.


Beijo.


Obs.: Eu tento , mas, diagramar, como pode-se observar, não é o meu forte, a despeito dos esforços do mestre ...rsrs

quinta-feira, 4 de fevereiro de 2010

terça-feira, 26 de janeiro de 2010

A VARANDA

A VARANDA

As férias escolares estão terminando. Por conta delas, neste verão, tive o prazer de desfrutar da companhia de alguns de meus sobrinhos aqui em casa.  Foi uma delícia.

 Cumpri minha meta de transformar a minha casa em "Colônia de férias da tia-madrinha". Biquini e maiô foram as únicas peças de vestuário usadas no período. Dia e noite, diga-se.

Mas, o que me chamou a atenção e me inspirou a escrever este "post" foi um comentário de Mariana, minha primeira afilhada, num dos agradáveis  finais de tarde   de "conversê " na nossa  varanda .

Foi mais ou menos assim:  Cheguei do trabalho, vesti o "uniforme  de férias" , peguei uma caneca com  café e me sentei ao lado da Mariana . Ao longo dos seus  vividíssimos onze anos, Mariana estava ensimesmada, espreguiçada em uma das cadeiras da  varanda, com os pezinhos esticadinhos sobre o pufe de apoio .

 Observada de longe, parecia uma adulta em profundo momento reflexivo: olhar fixo no horizonte , semblante distraído; saboreava, em goles curtos, o suco colocado em outra  caneca da Dinda. 

Admirava, platonicamente, o belo cenário da junção das montanhas com o mar. Se fosse Sherlock , faltaria apenas o cachimbo para completar  o quadro, se fosse Marcia, seria a versão miniatura ...

Puxei assunto com ela, que me respondeu apenas com um sorriso terno e um olhar de soslaio.

Alguns segundos em minha companhia, disparou uma pergunta inusitada : - Madrinha, a sua vida é sempre assim ?
-Não entendi Mari, respondi . -Assim como?
-Assim, Madrinha , tranquila, com tempo para a gente conversar e dar risada na varanda, sem correria. Aqui na sua casa, você tem em cada  cantinho,  um lugar legal  para o papo e a gente pode até dormir nas cadeiras se quiser. Pode ficar descalço e com qualquer roupa e nem  dá vontade de ir para a rua. Você e a vó nem ligam para as coisas modernas e a comida da vó é bem mais gostosa que a do shopping. A gente pode até quebrar sem querer um copo que não tem problema. Tudo pode ser trocado  , lavado e substituído, menos as pessoas, é claro. 

Caí na gargalhada ! Nossa! Que reflexão linda a minha afilhada tinha feito. Eu nem percebera que havia transformado a minha casa, praticamente, numa pousada ou  casa de repouso  "natureba".

- Bom, Mariana, respondi - Em geral eu sou tranquila em tudo o que faço .  Eu corro o dia todo e também faço um monte de coisas ao mesmo tempo, mas, tudo de uma forma tranquila, alegre e organizada. Eu escolhi ser assim . A gente pode escolher sabia? E eu acho que a casa da gente tem que ser o melhor lugar do mundo, justamente para que possamos reabastecer as energias.

-Ah tá. Disse ela. É que na minha casa, meus pais são mais estressados e eu fico estressada também quando não consigo dar conta dos compromissos todos. É inglês, é piano, é futebol, é handebol, é guitarra, é escola ...


-Bom, Mari, respondi. - Eu também fico estressada quando vocês fazem uma baguncinha básica aqui em casa , né? Na realidade, eu penso que quem é responsável, costuma ficar estressado mesmo.Isso  não é uma coisa ruim.  A gente tem só que ter noção dos própios limites e da nossa falibilidade.

-Falibilidade? Como assim? Disse ela.

-Ora, somos humanos, e, portanto, sujeitos a falhas. Não as propositais entende? Mas, aquelas que acontecem de vez em quando com todo mundo. E quando elas acontecem, você pode escolher entre pensar que não conseguiu ou pensar que poderá fazer melhor numa próxima vez, pois, naquele momento, você deu o seu melhor.

-Mas é difícil né Madrinha. Eu sofro muito.
-Então, Mari, eu acho que tudo é treino e escolha para viver bem. Para não sofrer e para viver tranquila. 

Fez-se novamente o silêncio e voltou a Mariana ao gole curto do que restou do suco na caneca de café. 

-É... Pode ser... Disse .

Nem um minuto depois, novamente dispara ela, imprevisivel: - William , vamos dar um mergulho? Tá chovendo, mas a água tá quentinha!! Tchau Madrinha.

Caí de novo na gargalhada. Convenhamos,era muita reflexão para uma criança de onze anos!!!

Realmente,a capacidade de percepção sobre a responsabilidade das escolhas para a nossa vida é fruto, certamente, da  maturidade. Nascer e morrer são processos biológicos compulsórios, mas viver, ah! Viver não! Viver depende da nossa vontade e ,sobretudo, das nossas escolhas.

 Há gente que diz:- Minha vida é uma droga!!! Outros  elogiam : -Que vida linda tem Fulano!! Outros ainda, comentam: - Coitado do Beltrano, estragou a própria vida. E a Maria, então, tem uma vida  que é só  sofrimento.

Já a Márcia , que vidão hein!!!! Pessoa de sorte!!!

É, é sim. Sou uma pessoa de sorte, escolhi ter sorte, escolhi a felicidade, escolhi a bonança, escolhi a tranquilidade, minha e dos que me cercam.

Não pensem vocês que não há ventos contrários no meu mar, há sim, e muitos, mas , aprendi a nadar, a remar  e ainda, a respirar debaixo d'água, se for preciso .

É bom olhar para trás e, ao perguntar - O que foi que eu fiz? Verificar que fiz coisas belas, muito belas e que há muito ainda para fazer! Se Deus quiser!

Sartre? É ... pode ser ...


Beijos.

quinta-feira, 21 de janeiro de 2010

TV DIGITAL

TV DIGITAL

Daqui a pouco, vamos todos ter que nos adaptar às novas tecnologias. Mais proximamente da nossa realidade doméstica, está a troca dos aparelhos de TV convencionais pelos digitais. Pensando já num planejamento financeiro desta troca, ou melhor, trocas, já que em cada canto da casa tem uma TV, fui dar uma xeretada nas lojas . Visitei uma, duas, três, quatro grandes magazines; conheci diversas marcas,modelos e tamanhos. Fiquei PLASMA!!!!! Realmente,a nova tecnologia é digital : DE MUITOS DÍGITOS !!
Conferindo o hollerite , observei que  o meu salário  não recebeu qualquer "upgrade "  e permaneceu  em velocidade de "bites" de versão ultrapassada. Porém, era lei a ser cumprida e algum jeito tinha que se ter para obedecer o Governo que inventou isso aí, junto com os novos modelinhos de tomada. Já pensaram vir um fiscal do Lula na minha casa e dizer : - Teje presa ! Agora só pode ter TV digital!! Aos costumes! Recolhe essa velharia aí !! ( tô falando das TVs hein gente). Deus que me livre!!Matutei o caminho inteiro na volta para a casa, sem encontrar, todavia, uma solução. Mas, assim que cheguei e abri a porta da sala, cheia da sobrinhada em férias e aproveitando muito a casa da tia-madrinha, percebi que a minha preocupação era infundada. As digitais já estavam por toda a parte!!! Sim, sim: AS  DIGITAIS!!! Digitais dos dedinhos da molecada  ; nas paredes, nas portas, nos armários e, é claro, nas TVs!!!!! Pronto!! Resolvido o problema!!!  Relaxei e gritei para a minha mãe: - Ô vóóóóóóóóóóóóóó  , me traz um cafezinho que vou pro meu quarto ler um livrinho???? Obrigadinha, também te amo!!Ah! Amanhã,pede para a Jucilene passar uma buchinha com sabão nas paredes tá? Nas TVs não precisa mexer em nada! Beijinhos.

RICARDO SEITENFUS

SIMPLESMENTE LINDO!!!!!

"OS HOMENS E AS INSTITUIÇÕES SE DEIXAM CONHECER PLENAMENTE NO MODO COMO REAGEM AOS GRANDES TRAUMAS GRAVADOS PELA HISTÓRIA "

quarta-feira, 20 de janeiro de 2010

UM MÊS DE BLOG!!!!!

COMPLETEI UM MÊS DE BLOG !!!!!

VIVA!!!!

 INCRÍVEL!!!!!

AGRADEÇO TODAS AS VISITAS !!!! OBRIGADA!!!! VENHAM SEMPRE!!!

DEIXO MEU MAIL PARA CONTATOS  E SUGESTÕES: marcia_elisabeth@uol.com.br

BEIJOS!!!

terça-feira, 19 de janeiro de 2010

AINDA O HAITI

Texto Publicado também na Zero Hora de 17 de janeiro de 2010

N° 16218


Professor Seitenfus relata situação de Porto Príncipe pós terremoto



NA URGÊNCIA E PRECARIEDADE

Cheguei a Porto Príncipe na madrugada de sexta-feira. O edifício onde residi por um ano desabou completamente.

Perdi grande parte dos vizinhos e a totalidade de meus objetos pessoais. Tivesse eu adiado minhas férias por cinco dias, estaria também sob aqueles escombros. Trago comigo apenas a mochila que veio do Brasil, com alguma roupa e três cachimbos. Durmo no acampamento das Nações Unidas.

Busco notícias dos cerca de cem funcionários que se encontram a serviço da Organização dos Estados Americanos no Haiti, dos muitos amigos universitários, diplomatas, políticos e militares. A maior parte de meus interlocutores diários faleceu.



Entre as incontáveis preocupações que me assaltam hoje, sublinho a relação entre a natureza e a obra humana. Todo terremoto de tal escala causa danos de monta. Porém, se a catástrofe no Haiti alcançou tamanha amplitude, especialmente se centenas ou milhares de pessoas seguem morrendo por falta de socorro, isto se deve à inexistência prévia de um Estado proficiente em saúde pública, habitação e trabalho. A cooperação sul-americana no Haiti, extraordinário avanço da política externa da região, estava buscando exatamente forjar os meios para superar os limites de uma missão de paz tradicional, beneficiando a população de modo estrutural e permanente com variados projetos, inclusive de agricultura familiar e saneamento básico.



O Haiti vive na urgência e na precariedade desde muito antes da tragédia do presente. Trata-se de um Estado débil, dependente da ajuda internacional. O território foi particularmente castigado por catástrofes naturais. Porém, o atraso no desenvolvimento do Haiti deve-se também a outros fatores, entre os quais destacam-se as ditaduras cruéis que produziram uma cultura política de privilégios e violência. Durante a ditadura da família Duvalier, sob a batuta dos famosos Papa e Baby Doc, entre as décadas de 1950 e 1980, o Haiti mergulhou na pobreza e na corrupção. O legado autoritário repercute em todas as dimensões da vida nacional.



Por tudo isso, o Brasil, em particular, deve orgulhar-se do trabalho lá realizado e persistir na ideia de trocar o mero (e sem fim) assistencialismo, ou a obsessão securitária, pela cooperação profunda, capaz de gerar autonomia. Os desafios da reconstrução são imensos, e apenas uma aliança entre os países das Américas será capaz de enfrentá-los. Nela, o Brasil deve manter e consolidar seu protagonismo. Eis um assunto de Estado, e não de governo. Os homens e as instituições se deixam conhecer plenamente no modo como reagem aos grandes traumas gravados pela História. O horror ora vivido pelo Haiti é um deles.



* Gaúcho, representante especial do secretário-geral da OEA em Porto Príncipe



RICARDO SEITENFUS*